Ao falar de religiosidade popular devemos falar de Heresia  cuja raíz vem do latim tadío como haeretĭcus, sobre a raiz no grego como hairetikós, limitando-se a idéia de tomar uma decisão no pensamento e/ou agir por conta própria em relação a uma ordem estabelecida. A valorização da conotação religiosa que o termo apresenta hoje difere do significado profano original devido a um processo de sacralização e utilização do termo pela inquisição.

Houveram vários movimentos inquisitoriais, mas o contexto da heresia foi bastante marcado no início do século X para o ocidente com a Inquisição Católica. A resposta popular a esses movimentos foi a religiosidade popular.

O Brasil terra de Tupã e outras divindades indígenas nasceu para o ocidente como colônia e inferiorizado e a resposta social a isso foram as crenças populares, macumbas, mandingas e rezas do povo astuto .

Esta religiosidade amalgamada com vários tipos de crença, costumes regionais e traços culturais deu início ao que hoje chamamos de folclorismo um movimento de resistência com peculiaridades diversas e que muitas vezes é difícil de compreender para quem não está dentro da cultura observada.

Foi na religiosidade local e popular que sobreviveram as crenças ameríndias e indígenas do Brasil que foram subjulgadas pelo colonizador ressignificando tudo. Dentro de uma religiosidade popular nunca sabemos realmente o significado do que está sendo reproduzido em um altar , pois os santos são sobrepostos pelas divindades locais , pelos encantados e ainda há aquela figura controversa popularmente chamada de diabo .

O diabo folclórico que está em cada nuance da religiosidade popular tem uma multiplicidade de faces e nomes que para alguns é meramente o diabo matreiro e astuto e para outros tem nome, endereço e cosmologia .

Dentro de nosso Brasil multicultural há crenças populares com os mais variados tipos de povos quer sejam indígenas, ribeirinhos, quilombolas, pessoas nascidas latinas que descendem de imigrantes de várias partes do mundo. A religiosidade popular é afetiva e acolhedora, faz parte da história individual do povo latino basta dizer as inúmeras almas santificadas não reconhecidas pela igreja.

Bruxaria é a arte da heresia e ninguém melhor do que o catolicismo popular para dizer isso, fazem tudo que fazem contra a “norma” católica e continuam dentro da Igreja porque o povo é maior que a religião.

A tradição de benzedeiras e rezadeiras totalmente enraizada e camuflada pelo catolicismo é um exemplo de sobrevivência pela astúcia, pois a bruxaria nasce da necessidade. Como arrumar uma cura para um envenenamento em uma ilha longe de tudo? As curandeiras populares foram uma resposta social, conheço vários neopentecostais que levam seus filhos para benzer porque a cultura é superior a religião .

Há movimentos pagãos de exclusão do catolicismo dos cultos e não consideram o catolicismo popular como bruxaria, isso apenas repete o padrão de comportamento de colonizador tentando impor o suposto “certo” em cima da fé de outrem. Comportamentos fundamentalistas desunem o povo e criam mais intolerância.

A bruxaria dentro do contexto popular sobreviveu por conta da astúcia de camuflar aquilo que não deve ser visto por todos os olhos e esta visão é personificada por uma senhora idosa com um xale ou com um ramo na mão passando despercebida a todos os olhos .

Bruxaria é resistência e vem do povo pois a bruxaria elitizada não existe, ela é apenas um reflexo de uma sociedade materialista, mercantilista e que quando precisa vai aos bairros mais pobres na macuma local pois é lá que está a magia .

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